Doença Cardíaca Congénita
Os bebés com problemas cardíacos congénitos podem adoecer gravemente, sofrendo de infecções pulmonares, causadas pelo VSR.
Os desafios especiais
Os bebés com deficiências cardíacas congénitas apresentam um risco acrescido de infecções pulmonares devido a um vírus específico chamado Sincicial Respiratório, comumente abreviado para VSR. Esta secção vai explicar-lhe as preocupações e os riscos que podem resultar do seu bebé ser contagiado pelo VSR. Vamos ainda debater como podem os pais ajudar a reduzir os riscos do contágio e consequentes infecções pulmonares.

Um em cada 100 bebés nasce com um problema cardíaco.
Sabia que…
Se há um risco do seu bebé ficar bastante doente devido a uma infecção por VSR então é importante que saiba o que é o VSR e o que pode fazer para proteger o seu bebé de o contrair. Aqui ficam alguns pontos importantes a recordar:
• Quase todos os bebés vão ser infectados com o VSR por volta dos 3 anos de idade.
• Em alguns bebés prematuros, principalmente naqueles que sofrem de certas patologias pulmonares ou de doença cardíaca congénita, o VSR pode ser um problema grave e ser a causa de infecções respiratórias.
• As infecções por VSR tendem a acontecer entre o outono e a primavera, nomeadamente em climas temperados – como Portugal – mas a sazonalidade do VSR pode variar consoante a região.
• O ideal é perguntar ao seu médico a sazonalidade do VSR na sua zona de residência.
• Há muitas formas de ajudar o seu bebé a proteger-se da uma infecção por VSR.
• Quando se estiver constipado ou com febre, evite beijar o bebé. Deve também limitar a exposição do bebé a indivíduos que sejam portadores de doenças contagiosas.
• O VSR pode sobreviver em superfícies por horas. É importante assegurar-se de que balcões e superfícies das casas de banho são limpos e desinfectados regularmente com produtos adequados – principalmente quando algum dos elementos da família está constipado.
Certifique-se de que os brinquedos são limpos regularmente, principalmente depois de uma criança constipada ter brincado com eles.
• No início, os sintomas de uma infecção por VSR podem assemelhar-se a uma constipação, incluindo febre, corrimento nasal e outros sintomas frequentemente associados à constipação.
• Os sintomas que alertam para o agravamento da infecção e que, possivelmente, se esteja a espalhar para os pulmões são: tosse mais frequente e profunda, dificuldade em respirar, pieira e respiração acelerada, lábios e unhas azulados, desidratação e dificuldades na alimentação (quer por biberão ou pela mama). O médico do seu bebé poderá indicar-lhe para dirigir-se rapidamente a uma unidade médica se o seu bebé apresentar qualquer um destes sintomas, ou caso tenha alguns receios relativos à condição de saúde do seu bebé.
• Não há nenhum tratamento que cure a infecção por VSR. Esta realidade deve-se ao facto de que o VSR ser causado por um vírus o que, contrariamente às infecções bacterianas, não pode ser tratado com antibiótico.
• Se o seu bebé estiver infectado com um caso moderado de VSR, a infecção tenderá a melhorar por si mesmo, apesar de ser normal os médicos tratarem alguns dos sintomas como a febre. Um humidificador também poderá ajudar e facilitar a respiração. Caso utilize um destes aparelhos, certifique-se de que o mantém limpo.
• Se o seu bebé for hospitalizado no decorrer de uma infecção por VSR, muito provavelmente ser-lhe-á administrada uma injecção de modo a repor os fluídos. Também é provável que receba oxigénio humidificado ou, em alguns casos, que seja ligado a um ventilador para o ajudar a respirar.
• Em alguns casos, o médico do bebé poderá prescrever alguma medicação administrada por inalação de modo a desimpedir as vias aéreas para os pulmões de forma a reduzir a pieira. Nos casos mais graves, o bebé também poderá receber medicação antiviral.
Oxigénio para o corpo
O oxigénio é essencial para o normal funcionamento do corpo. Os glóbulos vermelhos transportam o oxigénio dos pulmões para os restantes tecidos e órgãos existentes no corpo. Quando os glóbulos vermelhos estão carregados de oxigénio apresentam uma cor vermelho vivo. Quando o oxigénio é entregue aos restantes tecidos e órgãos, o sangue ganha uma coloração azulada escura. Estes glóbulos têm então de regressar aos pulmões de modo a recolher mais oxigénio e retomar o processo de entregar novamente.
Todo este ciclo acontece devido a uma “bomba” fenomenal: o coração.

O coração e os grandes vasos
O coração é composto por quatro câmaras, divididas respectivamente por ventrículos esquerdo e direito e átrios esquerdo e direito. Adicionalmente, temos os grandes vasos (artérias e veias) que têm a função de transportar o sangue para fora do coração.
Recolha e entrega de oxigénio
Depois do sangue percorrer todo o corpo – transportando oxigénio para os órgãos e tecidos – este volta ao coração através da veia cava e entra no átrio direito. Nesta fase o sangue é de cor azulada porque tem pouco oxigénio. Quando o coração relaxa o sangue entra por uma válvula para o ventrículo direito. Este contrai-se de modo a enviar o sangue pela válvula pulmonar até às artérias pulmonares. O sangue viaja até aos pulmões onde recebe oxigénio, voltando a ganhar a cor vermelho vivo. Retorna ao átrio esquerdo pelas veias pulmonares. Daqui, desloca-se até ventrículo esquerdo através de uma válvula. O ventrículo esquerdo bombeia o sangue rico em oxigénio através de uma válvula para a aorta. Por sua vez, a aorta vai fazer o sangue percorrer o sangue pelo corpo, retomando o processo.

Defeitos cardíacos congénitos
Aproximadamente um em cada 100 bebés nasce com um defeito cardíaco. Alguns defeitos cardíacos têm uma origem genética. Outros, por seu lado, são de origem desconhecida.
Os defeitos cardíacos congénitos, ou lesões, são partes do coração de bebé que ainda não se formaram correctamente. Os defeitos congénitos cardíacos mais comuns estão relacionados com o fluxo sanguíneo, pois afectam a forma como o sangue circula dentro do próprio coração.
Quais os defeitos cardíacos que existem?
Existem dois tipos de condições cardíacas: cianótica e acianótica. Uma condição cianótica apresenta, como sintoma, uma cianose que provoca uma cor azulada nos lábios, nas gengivas e na pele. Isto acontece porque o sangue que percorre estas partes de corpo tem pouco oxigénio. Alguém que tenha uma condição aciótica não apresenta essa coloração azul nestas zonas.
Alguns bebés que tenham defeitos cardíacos congénitos podem ter uma respiração acelerada e suar quando estão a comer ou dormir. Estes bebés podem apresentar problemas de alimentação, suor excessivo quando estão a comer e podem ter dificuldades em ganhar peso tão rapidamente como um bebé que não tenha problemas cardíacos.
Bebés que tenham um defeito cardíaco congénito podem adoecer gravemente com infecções pulmonares causadas pelo VSR.
Tratamentos para os defeitos cardíacos congénitos
Muitos dos defeitos cardíacos podem ser geridos com sucesso. Os tratamentos dependem do local em que o coração está afectado. Alguns bebés podem nem necessitar de tratamento, caso a sua situação tenha um impacto muito reduzido no fluxo sanguíneo. Outros casos podem necessitar de medicação ou correcções realizadas com recurso a cateterizações cardíacas ou cirurgia. Alguns tratamentos são feitos por etapas enquanto outros requerem que se aguarde até que a criança seja mais velha. Apesar de muitos defeitos cardíacos não terem cura, se forem bem geridos permitirão que a criança tenha uma vida normal.